Categoria: Artigos
Data: 03/01/2026
A chegada de um novo ano traz consigo grandes expectativas. Algumas pessoas encaram isso de maneira mística, contudo a mudança de ano não possui nada mágico ou transformador por si mesmo. Enquanto muitos falam em "fechar um ciclo", "virar a página", "iniciar novos hábitos", devemos nos perguntar: Como devemos, como servos de Deus, viver esse momento? Será que Deus nos orienta sobre algo assim na sua Palavra?
A Festa das Trombetas (Lv 23;23-25; Nm 29.1-6) nos ensina princípios importantes sobre isso.
1 – O SENHOR DA ALIANÇA É O SENHOR DO TEMPO
O Senhor Deus, ao tomar um povo de propriedade exclusiva para si, entrou em uma aliança com Israel. Nessa aliança, Israel recebeu uma nova identidade e leis santas. Foi por meio dessas leis, preceitos e estatutos que Deus forjou a identidade santa em seu povo. Além disso, numa caminhada de discipulado, Deus estabeleceu uma nova forma de observar e contar o tempo. Por exemplo, quando saíram do Egito, sendo libertos da escravidão do Faraó, os filhos de Israel foram ensinados que o dia da Páscoa, o dia da redenção, seria o "primeiro dia do primeiro mês".
Isso revela que o Senhor da Aliança é também Senhor do Tempo. Essa realidade está envolvida no estabelecimento da Festa das Trombetas, pois essa festa, embora fosse celebrada no "primeiro dia do sétimo mês", passou a ser celebrada como o marco do ano novo civil ou secular para Israel (enquanto a Páscoa marcava o início do "ano novo sagrado"). Na verdade, a Festa das Trombetas marcava o fim de um período agrícola, após as últimas colheitas, e o início de um novo ano, com a chegada das chuvas e o tempo de espera até o próximo período de plantio.
Assim, a Festa das Trombetas nos lembra, em primeiro lugar, que Deus é Senhor das nossas vidas e isso inclui o tempo. Nós temos o hábito de chamar o tempo de nosso (meu tempo, minha agenda) – e, de fato, as Escrituras nos orientam a planejar e remir bem o nosso tempo – contudo não podemos esquecer que não vivemos para nós mesmos e devemos aprender a gerenciar o nosso tempo como mordomos do Senhor do Tempo.
2 – O SENHOR DO TEMPO ORDENOU UMA CELEBRAR UMA FESTA
Em Levítico 23.2, lemos o seguinte: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas.” O evento descrito Levítico 23.23-25 e em Números 29.1-6 é uma verdadeira festa de Deus, que ele ordenou que fosse celebrada pelo seu povo. As festas de Israel eram chamadas de “Santa Convocação” ou “Convocação Solene”, e o calendário judaico era repleto de santas convocações. Sem dúvidas, o Senhor é um Deus que gosta de boas celebrações.
Há algumas conexões práticas, retirado o simbolismo cerimonial, que aproximam a Festa das Trombetas e o nosso Réveillon:
a) Um celebração com comida farta, um banquete;b) Muito barulho (de trombetas ou de fogos de artifício);c) O encerramento de um ano e a inauguração de um novo ano.d) Um tempo de preparação para o que virá.
A Festa das Trombetas era celebrada com sacrifícios de animais e outras ofertas de cereal e de manjares. Além disso, o som das trombetas ecoavam solenemente, anunciando o período festivo do final de um ciclo agrícola e a chegada de um novo ciclo. Era assim, em festa, que o povo de Israel de preparava para a chegada das festas do sétimo mês, mais do que uma preparação para o novo plantio. Em especial, as trombetas anunciavam a preparação interior para o Dia da Expiação, que aconteceria 10 dias após esse momento festivo.
3 – UMA FESTA PARA DESCANSAR E REMEMORAR
Essa festa deveria ser celebrada por um povo que havia sido (seus antepassados) escravizado no Egito. Então, um dia de descanso, sem a obrigação de trabalhar em obras de serviço era algo inimaginável. Mas é exatamente assim que Deus ordenou, um tempo de festa solene, convocada para toda a nação parar, descansar dos seus trabalhos e se alegrarem na presença de Deus. Escravos não têm esse privilégio, mas o povo de Israel era, agora, um povo resgatado e livre.
Por esse motivo, essa festa deveria ser um memorial. Israel deveria recordar que o Senhor da Aliança era o Deus da Criação, da Redenção e da Providência. Não era momento de tentar "antecipar" o plantio, era momento de recordar quem era o Senhor e descansar em seu cuidado e provisão.
Nesse sentido, mais do que nos ensinar sobre passar o ano novo descansando das nossas tarefas rotineiras, a Festa das Trombetas (e toda convocação de descanso solene) nos ensina a buscar o descanso em Cristo, o verdadeiro e real descanso dos nossos pecados, do fardo da pecaminosidade. O descanso solene por ordem do Deus que resgatou o povo de Egito aponta para esse descanso espiritual no redentor (mas "resta-nos um descanso"...)
4 – UMA FESTA DE PREPARAÇÃO PARA COMUNHÃO COM DEUS E UNS COM OS OUTROS
A Festa das Trombetas não era uma festa para ser celebrada individualmente. Antes, todos os "filhos de Israel" eram convocados para esse momento. Além disso, a alegria da festa não girava em torno da quantidade de comida e bebida, danças e músicas, mas eles se alegravam por que desfrutavam naquele momento da comunhão com Deus e da comunhão uns com os outros.
Esse imaginário é muito próximo do que acontece com a Igreja da Nova Aliança quando se reúne em culto público. No culto, somos convocados solenemente pelo Senhor para nos apresentarmos juntos em uma assembleia santa de louvor e adoração a Deus.
Então, quando as trombetas soavam, o povo renovava a sua expectativa de confiança em Deus e sua esperança de que o Senhor cumprisse os preceitos da aliança, cujo principal é: "Eu serei o seu Deus, vocês serão o meu povo" e "Eu habitarei no meio de vocês". Isso foi cumprido em Jesus Cristo, o verbo que se fez carne a habitou entre os homens. Ele trouxe a inauguração da nova aliança, cuja promessa de Isaías era que a trombeta haveria de ressoar um dia, inaugurando as portas da Nova Aliança, quando até mesmo povos escravizadores (o Egito e a Assíria) se converteriam ao Deus de Israel e o adorariam junto com esse povo.
Por isso, a trombeta era um símbolo da pregação do evangelho, pela qual almas cansadas e escravizadas seriam chamadas ao descanso em Cristo, para servir a Deus e a celebrar uma festa espiritual para Ele. Por isso, a conversão das nações à fé em Cristo é descrita como sendo feita pelo toque de uma grande trombeta, Isaías 27:13.
Porém, outra vez essa trombeta haverá de tocar, para nunca mais haver choro pelo pecado, mas para juntos estarmos para sempre com o Senhor, uma celebração perene da comunhão com Deus e da comunhão uns com os outros.
“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.” (1Ts 4.16-18)
“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1Co 15.51-58).