O SANGUE QUE SUBSTITUI - ÊXODO 12.23
O capítulo 12 de Êxodo descreve a instituição da Páscoa, imediatamente antes da décima praga: a morte dos primogênitos. A noite da Páscoa foi a noite mais decisiva da história redentiva do Antigo Testamento. O juízo de Deus cairia sobre o Egito. Não era ameaça; era decreto. Contudo, naquela mesma noite, Deus estabeleceu distinção entre juízo e redenção. O versículo 23 revela o momento decisivo quanto a isso: o juízo de Deus é real, mas o sangue substitutivo provê livramento.
I. A REALIDADE DO JUÍZO DIVINO
O texto começa com a ação judicial de Deus: “O Senhor passará para ferir os egípcios”. O Senhor não envia apenas um agente; antes, ele mesmo virá sobre o Egito em juízo.
II. O SANGUE COMO SUBSTITUIÇÃO VICÁRIA
O centro do versículo é o sangue, como sinal da redenção. Note que a ação divina de preservação estava ligada às casas com sangue e não às casas em que havia algum israelita.
Tipologicamente isso aponta para Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus em nosso favor. Paulo declara em 1 Coríntios 5.7 que “Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós”. Desta forma, ele aplica a cena do Êxodo ao princípio da substituição penal, pois o juízo que cairia sobre o primogênito, recaiu sobre um substituto, o cordeiro imolado e sinalizado como tal.
Esse é o cerne do Evangelho, pois a expiação realizada por Cristo é eficaz e substitutiva, como fora do cordeiro pascal no Egito. Cristo não tornou a salvação possível, ele satisfez a justiça divina em favor do seu povo.
É por isso que o apóstolo Pedro ensina que “não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1.20)
III. A APLICAÇÃO VISÍVEL DA REDENÇÃO
O texto afirma: “quando vir o sangue”. Não se trata da informação sobre o sangue, mas sim sobre a necessidade da sua aplicação visível (o que seria equivalente ao recebimento do Espírito Santo como selo nos crentes). Mais do que um ritual, aplicar o sangue nos umbrais das portas demonstrava a fé dos israelitas no Senhor. Hoje, de maneira análoga, a fé o nosso instrumento de apropriação da redenção em Cristo.
Assim como Pedro fala que o Cordeiro da redenção era conhecido antes da fundação do mundo, foi nesse tempo que os eleitos receberam a graça do amor eterno de Deus e a garantia da obra do Espírito sobre eles (Ef 1.4). Desse modo, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
IV. A SOBERANIA PROTETORA DE DEUS
O texto diz que Deus “não permitirá ao destruidor que entre”. Dessa maneira, Deus não apena provê a redenção, mas ele mesmo garante a preservação dos filhos de Israel. Há uma dupla ação de divina, por assim dizer. Enquanto o anjo destruidor executa o juízo divino passando sobre o Egito, há uma ação graciosa e protetora de Deus “pairando sobre” as casas marcadas com o sangue do cordeiro.
REFLEXÃO
O castigo de Deus sobre o Egito, matando os primogênitos, é um tipo do seu juízo final sobre todos os homens. Diante disso, uma pergunta é inevitável: “O sangue está sobre a sua porta?”.