Categoria: Artigos
Data: 18/01/2026

A CRIAÇÃO PELA PALAVRA

Você reparou como é curioso o fato de Deus criar o mundo falando? “Haja!”. A criação é a demonstração da soberania de Deus sobre todas as coisas. E nesse ato Ele decidiu criar por meio da sua palavra e se relacionar com a criação através da palavra. Com certeza, essa é a voz mais poderosa que existe, a voz que tem o poder de trazer a vida à existência dizendo: “Haja”. Isso só pode ser compreendido pela fé (Hb 11.3).

Assim como ele criou todas as coisas pela sua palavra, pela mesma palavra estamos sendo “recriados” à sua imagem. Assim como, pela palavra, ele trouxe das trevas a luz, da mesma maneira ele fez brotar luz nas trevas do nosso coração pela sua palavra (2Co 4.6). É claro que isso não acontece sem a obra do Espírito, o agente criador, e do Filho, por meio de quem Deus “fez o universo e sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.1-4)

O QUE ERA BOM SE CORROMPEU PELO PECADO

Todas as coisas criadas por Deus eram boas (1Tm 4.4), porém o pecado subverteu a criação. Até mesmo o homem, criado à imagem e semelhança do Criador, pois “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). Quando o pecado entrou no mundo, a corrupção causada foi total/integral. O estado de vida, tornou-se em um estado de morte (Rm 5.12; Tg 1.15).

MAS DEUS...

Essa pequena expressão, “mas Deus” aponta para as reversões redentoras na metanarrativa divina. Gênesis 3, que é apresenta o estado da queda, começa com a expressão “mas a serpente”. A sequência da narrativa, porém, nos mostra que Deus castigou a serpente e efetuou algumas reversões redentoras na história.

1. A serpente enganadora será destruída com um golpe mortal (Gn 3.15 - Cl 2.14-15);

2. A maldição da morte é “suspensa” pelas promessas de descendência (Gn 3.15, 16);

*** A morte espiritual ocorreu e a morte física também, Deus não mentiu, mas mitigou o castigo pela promessa ***

3. Adão e Eva que estavam nus, foram cobertos (conceito de propiciação: Rm 3.25; 1Jo 4.10);

4. A expulsão do jardim foi, ao mesmo tempo, a expulsão do homem da presença de Deus (por causa da “morte espiritual”) e a preservação do homem de comer da árvore da vida e permanecer eternamente no estado de queda (Gn 3.22, 24).

A ÁRVORE QUE LIGA O COMEÇO AO FIM

É curioso - pelo menos eu acho curioso - o fascínio que as pessoas da cidade têm por árvores. A “selva de pedra” (SP), por exemplo, é muito bem arborizada. E eu acho que isso tem um motivo que nos leva de volta ao Éden. Toda a história da redenção é posta entre duas árvores: a árvore-do-conhecimento-do-bem-e-do-mal e a árvore da vida. Mas enquanto uma desaparece do enredo bíblico, outra permanece firme e reaparece no final da história. O vencedor receberá do fruto da árvore da vida (Ap 2.7), e isso lhe será um direito (Ap 22.14). Essa é uma árvore que produz o ano inteiro e possui propriedade curativas (Ap 22.2). Acho que o fascínio por árvores se explica.

Criação, Queda, Redenção e Consumação estão ligados e traçados desde o começo da história. O anseio por redenção é um sentimento próprio à natureza humana, assim como é próprio à criação que geme angustiada (Rm 8.20). Se por um homem veio a queda, o pecado e a morte, o nosso anseio é que a história chegue logo no homem que traz renovo, perdão e vida (1Co 15.21).

O CAMINHO DE CAIM

O caminho de Caim foi terrível, porque ele era do maligno e suas obras eram más (1Jo 3.11-12). Seu caminho foi continuado pelo terrível Lameque, um homem “70x7” pior do que Caim. Esse é o caminho daqueles que deixam o pecado reinar sobre o seu coração (Rm 6.12), mas esse é um caminho cujo fim também é terrível (Sl 36.4; Pv 16.25). Deus, porém, não permite que o caminho de Caim prospere, ele reverte o caminho de morte com o surgimento da vida, renovando a promessa e a esperança (Gn 4.25-26).

O SANGUE DERRAMADO FALA

O derramamento de sangue é algo muito sério nas Escrituras, uma afronta contra o próprio Deus. É o sangue que liga a narrativa de Caim e de Noé. Em Caim, mesmo depois da promessa, a morte mostrou seus efeitos e apontou a guerra entre a semente da mulher e a semente da serpente. Em Noé, promessa e preservação são enfatizadas por Deus, com a ordem de “sangue por sangue”.

Talvez você esteja pensando que jamais irá trilhar o caminho de Caim, mas Jesus nos ensina que a ira infundada e os insultos aos outros são normas do caminho de Caim (Mt 5.21-22). O sangue derramado fala, e fala alto, pois quando um homem entra em guerra contra outro, está em guerra contra a imagem de Deus nele (Gn 9.6). Mas por isso mesmo existe um sangue que fala mais alto do que todos, o sangue da justiça de Deus em seu Filho (Hb 12.24).

CULTO E SALVAÇÃO, SACRIFÍCIO E SANGUE

Talvez a relação “culto-salvação-sacrifício-sangue” fique clara somente mais adiante, mas note:

1. Um animal foi morto (sacrifício e sangue derramado) para “salvar” Adão e Eva (Gn 3.21), e isso aconteceu num momento de culto, quando o homem e a mulher se apresentariam “na presença do Senhor Deus” (Gn 3.8).

2. O primeiro assassinato (sangue derramado) ocorreu em associação a um momento de culto, quando Caim e Abel apresentaram as suas ofertas diante de Deus (Gn 4.1-11).

3. Ao sair da arca, provando a salvação (1Pe 3.20) e a preservação de Deus (2Pe 2.5), Noé apre-sentou ofertas de sacrifício a Deus (Gn 8.20-21), um culto

4. Nesse culto Deus repete as palavras da aliança que foram ditas no Éden (Gn 9.1, 7), reprime os que desejam seguir o caminho maligno de Caim (Gn 9.5-6) e renova a sua aliança com o homem (Gn 9.9, 12), colocando um simbólico arco de guerra contra si mesmo (Gn 9.13).

∴ A morte de Jesus Cristo foi um culto sacrificial, em que ele derramou seu próprio sangue (1Pe 1.19) para trazer a salvação aos filhos de Deus e no conduzir à presença do Senhor Deus (1Pe 3.18).



Autor: Rev. Talmay Rohrer   |   Visualizações: 131 pessoas
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